Lisboa: 5 lugares que não podem ficar de fora

fachada do mosteiro
Mosteiro dos Jerônimos

A atual Lisboa foi batizada pelos invasores romanos de Felicitas Julia Olisipo, no ano 205 a.e.c. No século V foi destruída pelos bárbaros. Três séculos depois os árabes a transformaram em uma das mais importantes cidades da Ibéria Muçulmana. Foi retomada pelos cristão em 1147, ao ser conquistada por D. Afonso Henriques e em 1255 tornou-se a capital do reino. Se desenvolveu e prosperou até o terremoto de 1 de novembro de 1755 que destruiu 2/3 da cidade. Foi re-construída pelo Marques de Pombal.

O que não pode ficar de fora

Indicar os cinco lugares mais interessantes para se visitar em Lisboa não é tarefa fácil. Esses cinco selecionados foram uma escolha pessoal, baseada em um interesse particular por lugares históricos. Quais você escolheria? Me conta lá nos comentários depois.

1.  Museu Nacional do Azulejo em Lisboa

O Museu Nacional do Azulejo ocupa os claustros do antigo Convento de Madre de Deus, fundado em 1509 por D. Leonor, viúva do rei João II. A evolução da fabricação dessas peças é apresentada em painéis, azulejos e fotografias. Desde a introdução dos azulejos pelos mouros até os dias de hoje.

“O azulejo é uma arte identitária de Portugal. O seu uso, sem interrupção nos últimos cinco séculos distingue-se do modo como foi entendido em noutras culturas, afirmando um gosto português. O museu é o ponto de partida para conhecer esse patrimônio que pode ser visto em todo o país, aplicado nos espaços para que foi concebido”.

No interior da construção, logo na entrada, observe os azulejos do café-restaurante (século 20) que  mostram animais de caça pendurados, como javalis e faisões.

azulejos no café restaurante do museu do azulejo
Painel de azulejos no restaurante-café do Museu Nacional do Azulejo, Lisboa.

 

Detalhe de uma das escadarias do Museu Nacional do Azulejo, Lisboa
Detalhe de uma das escadarias do Museu Nacional do Azulejo, Lisboa

A igreja do convento, foi construída originalmente em estilo manuelino, restaurada posteriormente por João III, com influencia renascentista. Dom João V acrescentou uma decoração barroca, duzentos anos após a sua conclusão no século XVI.

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Igreja Madre de Deus no Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa.

O Museu fica localizado fora do Centro na Rua da Madre de Deus, 4. Deixe um período inteiro só para ele (manhã ou tarde).

2. Torre de Belém

Encomendada por Manuel I, a torre foi construída como uma fortaleza no meio do Tejo de 1515 a 1521. Ponto de partida dos navegadores que viajavam para descobrir as rotas de comércio. Foi considerada uma das 7 maravilhas de Portugal e foi classificada em 1983 como Patrimônio Mundial da UNESCO.

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Detalhes da Torre de Belém.

Na foto (1)  acima repare na estátua de Nossa Senhora do Bom Retorno olhando para o mar que simboliza proteção para os navegadores no além-mar.

A cruz da Ordem de Cristo aparece decorando as ameias, bem como, as coras esculpidas na pedra (foto 2). As janelas do calabouço, usado como prisão até o século 19 aparecem abaixo do Posto de Sentinela (foto 3).

Da Torre de Belém avista-se a Ponte 25 de abril, antes Salazar.

3. Mosteiro dos Jerônimos

Com uma fachada de 300 metros de extensão o Mosteiro dos Jerônimos ou de Santa Maria de Belém  é considerado a principal obra da arquitetura manuelina. A construção iniciada em 1501, durou quase 100 anos.

fachada do mosteiro
Mosteiro dos Jerônimos

O estilo manuelino, típico de Portugal mistura o gótico florido, com motivos da Renascença e influências das navegações e dos descobrimentos portugueses.

mosteiro dos jerônimos claustro
Claustro do Mosteiro dos Jerônimos

Túmulos de famosos estão nesse local, um está vazio, o de D. Sebastião, o jovem rei que nunca retornou da batalha.

Túmulo vaszio de Dom Sebastião
Túmulo vaszio de Dom Sebastião

O túmulo de Vasco da Gama é entalhado com símbolos das viagens marítimas.

túmulos no mosteiro dos jerônimos
Túmulos no Mosteiro dos Jerônimos

A entrada da Igreja de Santa Maria (não é preciso pagar para entrar) está ao lado da do Mosteiro.

fachada da igreja de santa maria
Igreja de Santa Maria

Observe, no portal de entrada, a imagem de São Jerônimo. Internamente, a abobada da igreja que é suspensa por delgados pilares octogonais que se elevam até o teto, dando uma sensação de espaço.

igreja de santas maria
Detalhes da Igreja de Santa Maria, a imagem de São Jerônimo e a nave da igreja do Mosteiro dos Jerônimos.

4. Palácio de Queluz

Foi no Palácio de Queluz, a 15 km ao norte de Lisboa,  que morou a rainha D. Maria, a Louca. Ela era filha mais velha de José I e se casou com seu tio Pedro. Sofria de crises de melancolia e seu quadro se agravou quando faleceu seu filho José, de catapora, em 1788. Gritava, porque tinha visões e alucinações (acho que era esquizofrênica). Depois da invasão francesa, seu filho mais moço, futuro João VI, levou-a para o Brasil.

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No reinado de D. Maria I, a família real andava de barco nesse canal, revestido de azulejos.

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Canal de azulejos do Palácio de Queluz

Não é mera coincidência, os jardins do palácio foram inspirados no Palácio de Versalhes, na França.

jardins do palácio de queluz
Jardins do Palácio de Queluz

Em 12 de outubro de 1798 nascia  D. Pedro I do Brasil (e IV de Portugal), no quarto denominado de D. Quixote, onde também faleceu 35 anos mais tarde em 1834. As paredes do quarto são decoradas com cenas das façanhas do personagem criado pelo espanhol Miguel de Cervantes.

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Quarto de D. Pedro I (do Brasil)
carruagem dentro do palácio de queluz
Carruagem no Palácio de Queluz

5. Castelo de São Jorge

Em 1147, após reconquistar Lisboa dos mouros, o rei Afonso Henriques transformou a cidadela mourisca do topo da colina na residencia dos reis de Portugal- o Castelo de São Jorge.

O local onde ficam as muralhas e o Castelo, bairro de Santa Cruz, oferece boas opções de caminhadas e vistas maravilhosas da cidade.

 

Cidade de LIsboa a partir do CAstelo de São Jorge
Vista da cidade de Lisboa

Desse ângulo é possível ver a Praça do Comércio e, ao fundo, o Rio Tejo.

Praça do Comércio e o Rio Tejo, vistos do CAstelo de São Jorge
Praça do Comércio e o Rio Tejo, vistos do Castelo de São Jorge

Castelo de São Jorge
Castelo de São Jorge

Você concorda comigo? Quais cinco lugares escolheria?

Muito obrigada pela sua companhia!

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Fontes:

Portugal, Madeira e Açores-Guia Visual, Folha de São Paulo,1999.

Ferreira, D. & Dias, P. História de Portugal, 2016

Scott, A. S. Os portugueses.2014

 

 

Fernanda Moretzsohn

Olá, eu sou a Fernanda. Mãe de três. Casada. Viciada em leitura e café. Apaixonada por aventuras e natureza. Adoro malhar e sentar no chão. Detesto água fria, shoppings e fazer compras. Acho que temos o suficiente e que perdemos muito do nosso precioso tempo de vida com compromissos desnecessários e preocupações fúteis. Sou consumista, de viagens. Quando aparece uma chance faço uma malinha enxuta e embarco! No avião, trem, carro ou canoa, tanto faz. Melhor ainda se for a pé. Adoro compartilhar o que tem nesse nosso mundão com você. Me acompanha?

2 comentários sobre “Lisboa: 5 lugares que não podem ficar de fora

  • Sandra Vallim 3 de dezembro de 2016 at 00:30 Reply

    Excelentes suas escolhas! Eu acabei não indo ao Museu dos Azulejos que estava na minha lista. Os outros 4 pontos visitamos e amamos. Lisboa é tão linda e maravilhosa que sempre vamos deixar algo por fazer. A parte do bairro alto tem muitos bares e restaurantes, muita animação para o pessoal mais jovem. Alfama e suas ruelas são um capítulo à parte. A livraria Bertrand é considerada a mais antiga do mundo ( em funcionamento) tem o seu charme. A Av. da Liberdade é um boulevard dos mais antigos e delicioso para se caminhar até o Rossio onde encontramos um ótimo comércio.

    • Fernanda Moretzsohn 3 de dezembro de 2016 at 13:03 Reply

      Sandra, sempre deixamos algo para trás, impossível conhecer tudo dentro do tempo limitado que todo viajante tem. No último dia, conheci a livraria Bertrand e aproveitei para comprar um livro sobre a História de Portugal. Gostei muito de lá. Só não tinha muitos lugares para sentar, talvez seja proposital, para evitar pessoas (como eu) que esquecem da vida dentro de uma livraria (rs).
      Dessa vez a casa onde meu poeta-filósofo preferido morou, Fernando Pessoa, não escapou. Conseguimos chegar lá com a ajuda do Seu João.
      A Praça do Comércio e a vista dos Arcos da Augusta também são outros pontos de destaque da capital Lusa, não acha?
      Adoro caminhar mas dessa vez não deu para me “acabar” em Alfama e suas ruelas. Estava com o meu pai que usa bengalas e tem as limitações inerentes a uma pessoa de quase 87 anos de idade mas que, apesar disso, dá um baile em muito moço por aí em termos de disposição.
      Muito obrigada por deixar registrados aqui no blog, seus sempre bem vindos comentários com ótimas sugestões para outros viajantes. bjs:)

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