
Olha que coisa boa, hein?
Alter do Chão fica a apenas 38 km do centro de Santarém.
Ou seja, se quiser pegar um atalho nesse roteiro e ir diretamente para lá, basta pegar um avião até Santarém. Simples assim.
Nós, as aventureiras deslumbradas, fomos de embarcação a partir de Belém. Chegamos de madrugada no Porto de Santarém e só havia duas possibilidades para chegar em Alter:
(1) dormir em um um banco de praça até o sol raiar para pegar o bus no dia seguinte (jamais!)
(2) tirar o escorpião do bolso e pagar 100 reais por um táxi.
Sem titubear, ficamos com a número 2. Fui a primeira a desembarcar (rs) e entrar no táxi.
Se programe para chegar durante o dia, daí você pode tranquilamente pegar um ônibus de linha normal que faz Santarém-Alter do Chão. Eles correm durante o dia, das 6 às 22h e saem baratinho.
Quando ir?
Em julho, setembro ou novembro. Em cada um desses meses será um Alter diferente. Conforme o nível do Rio Tapajós vai descendo, os bancos de areia vão aparecendo e as praias se formando. Fomos em julho.
Aceita que dói menos: é rio!!!
Não é mar. Tem o tamanho do mar, a cor do mar, mas é um rio. Difícil de acreditar. O Tapajós é assim, um rio-mar e ponto final.

O que fazer por lá?
Depende das suas pretensões. Mas recomendo ir com poucas. Indico o ritual diário de um banho de rio aos entardeceres.

Lá é um lugar para se largar, jogar as neuras de cidade grande no Rio Tapajós, acreditar que a paz até existe e que é possível sentar em um banco da praça à noite e relaxar.
Mas como turista não tem sossego (e eu me incluo nesse grupo) e quer conhecer tudinho, tenho alguns lugares bacanas para te indicar
1.Ilha do Amor
Localizada bem em frente à vila. A travessia demora cerca de 5min e é feita por canoas-taxi que custam R$5,00. Em outubro/novembro, quando o nível do Rio Tapajós baixa, é possível ir caminhando.

2.Serra da Pira-oca.
Fica na Ilha do Amor. É de lá de cima que se tem aquela vista da Ilha do Amor, que aparece nos cartões postais. A trilha é leve no começo, um pouquinho mais puxada no final. Deixe para um final de tarde. Fomos bem ao meio-dia e quase sucumbimos desidratadas.


3.Praia Ponta de Pedras, Lago Negro e Ponta do Cururú para o pôr do sol.
Contratamos um lancheiro. Existem vários oferecendo esses passeios na Vila e na Ilha do Amor.

O turismo virou a maior fonte de renda de Alter do Chão, portanto espere preços salgados para os passeios ( tres casas decimais), mas logicamente, tudo negociável.
4.Trilha na FLONA e entardecer na Ponta do Muretá.
FLONA significa Floresta Nacional do Rio Tapajós. Combinamos esse passeio, que dura o dia inteiro, com o mesmo barqueiro do dia anterior. Ele nos pegou cedo na Orla. Nos juntamos a mais um casal e um sociólogo que tinha um ratão e uma jibóia de estimação. A jibóia se alimentava de ratinhos vivos, uma vez por semana. Apenas alguns detalhes, voltemos a FLONA.
O barqueiro nos leva até uma comunidade (tem várias por lá), onde o mateiro-guia, com PhD em Floresta Amazônica e todos os seus segredos (ou boa parte deles), te conduz por uma trilha de 9km mata adentro. No nosso caso, foi o Luis, que fez o percurso desarmado porque um dia um turista (neurótico) achou perigoso. Perigoso é não levar um facão em uma floresta, isso sim. Outra turista queria que o mateiro levasse o filho dela nas costas. Gente sem noção, nem respeito. O Luis é um guia, uma pessoa, não é uma mula de carga.


5.Canal do Jari
Foi um dos passeios que mais gostei. É que sou doida por fauna e flora e a biodiversidade dessa área é incrivel. Foi lá que vimos as vitórias-regias mais lindas do planeta. Contratamos o barqueiro Raimundo, o mesmo dos outros passeios, que nos conduziu em sua poderosa lancha para esse canal.



Agora, olha para baixo, chega mais perto e veja os detalhes das bordas da vitória-regia.
O nosso barqueiro fez uma parada na palafita da Dona Maria Rosangela.

Fiquei pensando nesse acesso para o banheiro da palafita à noite. Imagina você na ponte e os olhinhos dos jacarés lá embaixo.

Tudo muito limpinho e decorado.

Se você gosta de ver jacaré à noite, pode se hospedar na palafita da Dona Maria Rosangela. Combina com ela (fone: 991411729). Além de fazer umas bolachinhas de castanha deliciosas foi também a remadora da nossa canoa, igarapé a dentro, à procura de jibóias e bichos preguiças. Achamos uma (jibóia). Estava devidamente enrolada. Acho que era para não chocar a audiência urbana, acostumada com concreto e asfalto e cobras somente em serpentários.

7.Floresta Encantada
Esse foi o único passeio que não fizemos completamente, o barqueiro apenas nos levou ao inicio da Floresta Encantada. As árvores ainda estavam submersas e o Lago Verde e o Rio Tapajós eram uma coisa só. Quando o nível da água baixa forma-se uma grande porção de areia e o Lago Verde re-aparece. Como disse anteriormente, o jeito e voltar em outros meses do ano, na época da seca amazônica.
Santarém: terceiro municipio mais populoso do Estado, depois de Ananindeua, sabia disso?
Sabe quantos habitantes tem no terceiro municipio mais populoso do Pará? 296.302 habitantes! E nós, aqui no sudeste, acostumados com muito mais gente,hein?
Fomos de busão de Alter para Santarém. Pernoitamos no Hotel Imperador, simples, básico, o suficiente para o padrão @malaenxuta. Gostei da localização. Grudado na Orla.


De manhã, fomos na Feira do Pescado que fica na rua do porto.


Os botos se aproximam para comer os peixes que as pessoas compram e jogam.


O Encontro das Águas do Rios Tapajós e Amazonas, em Santarém, é pouco conhecido. A melhor vista é do Mirante da Praça.

Nosso próximo destino foi Manaus, mas dessa vez, pegamos um avião.

Para ver os outros posts sobre essa maravilhosa região do nosso país, é só clicar em cima do título.
Amazônia: um roteiro e uma mala enxuta para 17 dias
Belém: o que ver, curtir e fazer em 4 dias
Subindo o Rio Amazonas: de Belém à Santarém de embarcação
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Forte abraço!