O imponente Palácio-Convento de Mafra e sua Basílica

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Mafra foi nossa paradinha entre Sintra e Óbidos, onde pernoitamos.

Antes de avançar no relato, gostaria de dizer que a experiência de dirigir em Portugal foi fantástica. As auto-estradas tem pouco movimento, várias pistas e a velocidade máxima permitida é de 120 km/h! Nessas condições, facilmente você embala uns 150 km/h, sem perceber.

O Palácio de Mafra

O grande destaque da pequena cidade de Mafra é o seu palácio-convento,  construído durante o reinado do monarca mais extravagante de Portugal, D. João V, também conhecido por “o Magnâmico”, casado com D. Maria, a louca, e pai de D. João VI que veio para o Brasil em 1808.

Aparentemente essa obra foi resultado de um voto do jovem rei para ganhar um herdeiro, ou, talvez, uma maneira de expiar seus conhecidos excessos sexuais.

As obras começaram como um projeto modesto em 1717, mas com a riqueza vinda do Brasil, o rei e seu arquiteto italiano foram aumentando o projeto.

Em um único edifício estão conjugados um convento, um palácio e uma basílica.

Em 1910 o palácio foi considerado Monumento Nacional e, em 2007, foi colocado entre as “Sete Maravilhas de Portugal”. Mais de 50.000 trabalhadores e diversos materiais importados das diversas partes do Império foram empregados na sua construção.

Os seus números são impressionantes. Além do grande número de trabalhadores que participaram da sua construção, o palácio possui uma área de 40.000 m2, fachada  com 232 metros, 29 pátios, 880 entre salas e quartos, 4.500 portas e/ou janelas. Interessante também é seu famoso carrilhão, formado por 110 sinos que pesam em torno de 217 toneladas!

Palácio-convento de Mafra
Palácio-convento de Mafra

A magnífica basílica foi consagrada quando o rei, D. João V, completou 41 anos, no dia 22 de outubro de 1730, acontecendo festejos que duraram oito dias!

O convento foi abandonado em 1834, após a dissolução das ordens religiosas, e o palácio, em 1910, quando o último rei português, D. Manuel II, fugiu de Portugal no iate real ancorado em Ericeira.

O palácio nunca foi o favorito da família real. A maior parte da mobília e das obras de arte foi levada para o Brasil quando a corte fugiu da invasão francesa em 1807.

Visita ao Palácio-Convento

A visita começa pelo convento. Salas de enfermaria, leitos para enfermos e capela, são alguns dos pontos que podem ser visitados.

Capela do Mosteiro de Mafra
Capela do Mosteiro de Mafra

enfermaria dos monges do convento de mafra

Enfermaria dos monges do Convento de Mafra

A enfermaria era ocupada por doentes graves que ficavam assistidos por frades enfermeiros. Em cima da cama, o painel de azulejo representa Cristo e do lado oposto a Virgem Maria.

Detalhe de uma sala da enfermaria
Detalhe de uma sala da enfermaria

Um dos pontos altos do palácio é a sala do trono, onde também fica a coroa do rei.

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Sala do Trono ou da Audiência
Sala da coroa em Mafra
Sala do Trono ou da Audiência

O teto representa uma alegoria a Lusitânia. 

As paredes laterais estão decoradas com pinturas representando as supostas “oito virtudes” que o rei deveria ter as quais são de autoria de um famoso artista, Domingos Sequeira (1768-1837).

Quarto da Sua Majestade- à esquerda pintura de D. João VI e em cima da cama, da Sagrada Família.
Quarto da Sua Majestade – à esquerda, a pintura de D. João VI e logo acima da cama, a “Sagrada Família”.
Corredores internos do Palácio de Mafra
Corredores internos do Palácio de Mafra

A Sala da Música, também conhecida por Sala Amarela ou Sala de Receção, era onde a Família Real se reunia para receber os convidados no século XIX. No centro, um piano inglês.

Sala de Música ou Sala Amarela
Sala de Música ou Sala Amarela

Todo o mobiliário e decoração da Sala das Caças se refere a este gosto dos reis.

Sala das Caças
Sala das Caças

A Biblioteca do Palácio de Mafra

Com uma coleção de mais de 36.000 livros, piso de mármore e estantes em estilo rococó, a biblioteca do Palácio de Mafra é o ponto alto da visita. Considerada uma das mais belas bibliotecas do mundo, inspirou o romance “Memorial do Convento” de José Saramago.

Em 1754, uma Bula concedida pelo Papa Bento XIV, proibiu sob pena de excomunhão, o desvio ou empréstimo de obras impressas ou manuscritas sem licença do Rei de Portugal.

Biblioteca do Palácio de Mafra
Biblioteca do Palácio de Mafra

Basílica do Palácio Nacional de Mafra

A Basílica ocupa a parte central do edifício, ladeada pelas torres sineiras.
Foi feita segundo o desenho de João Frederico Ludovici, ourives de origem alemã que, após a sua longa permanência na Itália, a concebeu ao estilo barroco italiano.

Frente do palácio-convento de Mafra
Fachada da basílica pertencente ao complexo do Palácio de Mafra.

A cúpula octogonal da Basílica foi a primeira a ser construída em Portugal. Possui dois carrilhões com 92 sinos considerados os maiores do mundo e seis órgãos de tubos, alguns dos quais podem ser observados na foto abaixo.

Interior da Basílica de Mafra, detalhes da cúpula e altar
Interior da Basílica de Mafra, detalhes da cúpula e altar

As 58 estátuas localizadas na entrada e no interior, constituem a mais importante coleção de escultura barroca italiana fora da Itália. Obras de escultores renomados representam os principais Santos da Igreja, os Apóstolos e fundadores de ordens religiosas.

Estátuas em Mafra
Estátuas na entrada do Palácio de Mafra

Pois é, viu onde uma parte do ouro do Brasil foi parar?

Você conhecia ou tinha ouvido falar desse Palácio-Convento?

Eu pergunto isso, porque eu não o conhecia. Foi nossa anfitriã em Sintra, a D. Teresa,  que nos indicou esse passeio e valeu muito a pena.

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Fontes:

Scott, A. S., Os Portugueses, 2014.

http://www.palaciomafra.pt/pt-

http://www.vortexmag.net/o-que-fez-portugal-com-o-ouro-vindo-do-brasil/

 

 

Fernanda Moretzsohn

Olá, eu sou a Fernanda. Mãe de três. Casada. Viciada em leitura e café. Apaixonada por aventuras e natureza. Adoro malhar e sentar no chão. Detesto água fria, shoppings e fazer compras. Acho que temos o suficiente e que perdemos muito do nosso precioso tempo de vida com compromissos desnecessários e preocupações fúteis. Sou consumista, de viagens. Quando aparece uma chance faço uma malinha enxuta e embarco! No avião, trem, carro ou canoa, tanto faz. Melhor ainda se for a pé. Adoro compartilhar o que tem nesse nosso mundão com você. Me acompanha?

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